OUVINTES DO EVANGELHO, O OUVINTE EMOCIONAL

O OUVINTE EMOCIONAL

Esse estilo mental parece constituir um grande percentual da população, ou seja, cerca de 40% das pessoas possuem esse estilo mental como dominante.

Se o abstrato-sequencial vive no mundo das idéias, o abstrato-randômico vive no mundo das emoções.

Como as emoções são o critério básico que motiva as ações, seu comportamento tende a oscilar entre diferentes pólos de acordo com os sentimentos e com o humor do momento.

Isso faz com que a organização e o compromisso não sejam a sua primeira prioridade.

Pelo contrário, tanto na vida pessoal como no trabalho, seu ambiente tende mais para uma certa desordem do que para a ordem e a estabilidade.

O importante é o impulso do momento, as oportunidades do momento, as pessoas do momento. É comum esse tipo de pessoa marcar dois ou três compromissos ao mesmo tempo, e a decisão de em qual deles comparecer vai depender do que estiver sentindo no momento.

Geralmente é uma pessoa alegre que facilmente faz os outros sorrir e se divertir.

Esse foco nas emoções e no momento presente faz desse ouvinte uma pessoa altamente criativa. E a pessoa criativa tende a criar também suas próprias regras e horários.

Na vida profissional, tende a ser bem-sucedido como artista ou vendedor, pois é dono do seu próprio tempo e tem uma enorme facilidade de agradar e cativar outras pessoas.

Na igreja, o abstrato-randômico é o mais carismático e sempre gosta de fazer festa. Geralmente é líder de atividades dos jovens e apresentador de programas sociais e confraternizações.

Como ouvinte, tem uma enorme dificuldade de concentrar-se do começo ao fim, especialmente se o sermão for muito teórico, sério e sem emoção.

Quando o pregador começa o sermão, ele já espera uma história engraçada, dramática ou sentimental.

Se ela não vem, pode desconcentrar-se facilmente. Gosta muito de sermões sentimentais e sempre tem disposição para sorrir ou chorar durante o sermão.

Quando o sermão cria um clima emocional, um bom apelo facilmente o atrai e o leva à decisão. Muito sensível a um contexto sentimental, esse ouvinte se comove facilmente e se sente à vontade para expressar sua decisão publicamente.

Geralmente não tem nenhum constrangimento em atender ao apelo e se dirigir à frente, muitas vezes se desmanchando em lágrimas.

Provavelmente, a grande maioria dos que respondem ao apelo em lágrimas pertence a esse estilo mental. Com esse tipo de ouvinte, o Espírito Santo pode atuar no nível afetivo, levando-os da emoção à ação.

Geralmente o pregador abstrato-randômico ou emocional é o mais carismático, com uma grande facilidade de atrair e agradar o público com mensagens dinâmicas, histórias bem-humoradas e frases coloridas.

É extremamente criativo e nunca lhe faltam palavras para expressar e transmitir suas idéias. Consegue lidar facilmente com as emoções e ter a congregação nas mãos, a ponto de levar os ouvintes do sorriso às lágrimas. É mestre em histórias comoventes e tocantes, causando forte impressão nos ouvintes.

Quando esse tipo de pregador começa a preparar seu sermão, a primeira coisa que lhe vem à cabeça é uma ilustração. Primeiro ele é movido pela ilustração, sem saber ainda qual será o tema do sermão. Com base na ilustração, é que surgirão o tema, o esboço, a aplicação e assim por diante.

Por ter muita facilidade com as palavras, às vezes não se preocupa tanto em investir o tempo necessário no preparo de mensagens mais consistentes. Aliás, é nessa área que o pregador abstrato-randômico precisa crescer para alcançar outros tipos de ouvintes, muitos dos quais não se satisfazem apenas com mensagens
sentimentais.

Por isso, esse pregador precisa dedicar mais tempo ao estudo, em busca de uma consistência mais sólida, para que seus sermões alcancem aqueles que apreciam o raciocínio lógico, o estudo mais profundo e as mensagens mais concretas. Disciplina própria é o grande desafio do pregador abstrato-randômico.

Dentre as ilustrações mais ricas para o pregador usar com o ouvinte abstrato randômico verificam-se histórias comoventes, imagens coloridas, dramas que envolvam cenas emocionais, entrevistas, testemunhos e, sobretudo, um clima de celebração e louvor na adoração.

Um personagem da Bíblia que retrata quase com perfeição o estilo mental abstrato-randômico chama-se apóstolo Pedro.

Sua personalidade impulsiva e instável o fazia com frequência oscilar de um pólo a outro como, por exemplo,
negando a Cristo três vezes na mesma noite em que estava disposto a morrer por Ele, ou andando fervorosamente sobre as águas minutos antes de se afundar nas profundezas do Mar da Galileia, por causa de dúvida e falta de fé.

No ministério, o apóstolo Pedro era o típico pregador abstrato-randômico.

Impulsivo na vida pessoal, era também o primeiro a discursar, quando percebia uma oportunidade de evangelização, como no caso do dia de Pentecostes quando a multidão se dividia entre admiração e crítica diante do fenômeno do dom de línguas (At 2.14).

Carismático e eloquente, conseguia atrair multidões e mantê- las eletrizadas em seus sermões, como nesse caso do dia de Pentecostes.

Também não tinha a menor dificuldade em apelar aos ouvintes. Seus apelos comoventes convidavam a multidão diretamente para o batismo (At 2.38), sendo capaz de num só apelo levar três mil ouvintes ao batismo sob o poder do
Espírito Santo (At 2.41).

Sempre disposto a atender à necessidade presente e a seguir o impulso do momento, Pedro não tinha muita paciência para sentar e escrever longas cartas ou mensagens teológicas, até porque o raciocínio intelectual não era o seu lado mais forte.

Mesmo assim, sua preocupação pastoral levou-o a escrever duas epístolas que refletem bem o seu estilo mental. Primeiro, não conseguia gastar tempo escrevendo uma carta para cada igreja, como fizeram Paulo e outros autores.

Por isso, escreveu uma carta circular para todo mundo de uma só vez, como ele mesmo indica na introdução: “Aos forasteiros da Dispersão, no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (l Pe 1.1).

Ou seja, de uma sentada só ele escreveu para meio mundo. A segunda epístola seguiu exatamente o mesmo padrão e também foi produzida como uma carta circular “aos que conosco obtiveram fé”, ou seja, foi endereçada a todo mundo que um dia aceitou a mensagem de sua pregação.

Alguns comentaristas acreditam que o público da segunda epístola é exatamente o mesmo da primeira, pois Pedro se dirige aos leitores afirmando que escrevia a eles pela segunda vez (2Pe 3.1).

Por serem cartas circulares, o conteúdo logicamente não poderia ser muito específico.Por isso,suas cartas não têm um tema central único. São uma coleção de conselhos pastorais, o que é bem típico desse estilo mental, que procura atender à necessidade percebida sem se preocupar muito com a elaboração de uma estrutura
temática centralizada.

Por isso, seus conselhos abrangem: a fé; o comportamento cristão; a cidadania exemplar; a lealdade; e o preparo para a volta de Cristo. Ou seja, são temas gerais que se aplicam a todos os leitores ao mesmo tempo.

Finalmente, a curta extensão das epístolas também evidencia que Pedro era mais produtivo em outras áreas de atividade do que na área intelectual ou editorial, pois a primeira epístola contém apenas cinco capítulos e a segunda,
apenas três capítulos.

Como um abstrato-randômico animado e falante, Pedro era um pregador de grande público e de mensagens comoventes, e não necessariamente um grande escritor.

Da mesma maneira, pregadores e ouvintes abstrato randômicos podem colocar-se nas mãos de Deus para servi-lo de acordo com seu próprio estilo mental, buscando dentro do possível alcançar outros ouvintes, assim como Pedro o fez através de suas curtas epístolas destinadas a todos os tipos de ouvintes.

Em suma, esses quatro estilos mentais de ouvintes constituem apenas uma tentativa de visualizar como a maioria das pessoas se comporta ao ouvir ou pregar um sermão.

Na realidade, cada pessoa é um universo complexo e esses quatro estilos básicos poderiam ser subdivididos em inúmeras outras categorias.

No entanto, essa síntese de estilos mentais nos ajuda a entender melhor o comportamento de ouvintes e pregadores, para abordar melhor a mensagem para diferentes tipos de pessoas.

Além desses estilos, também podemos verificar a existência de inúmeros fatores culturais influenciando a cabeça de todos os ouvintes. Essas influências mudam com o tempo e contexto de diferentes épocas.

Um exemplo dessas influências culturais nos dias de hoje é a chamada mentalidade pós-moderna, com sua pluralidade de idéias e pontos de vista. Entender o que se passa na cabeça do ouvinte pós-moderno é um grande desafio para qualquer pregador.

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